A Menina do Casarão – Capítulo 2

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

Depois de esperar quase 1 hora no ponto, pegar um ônibus errado e esperar mais trinta minutos pelo certo, finalmente cheguei à bendita escola. Todo sacrifico é valido, quando se tem um objetivo.

Decepcionei-me com a escola. Tem aparência de internato para delinquentes juvenis. Mas não vou julgar o livro pela capa. Não é assim o ditado? No momento em que vi aqueles caras chegando em seus carros me subiu uma raiva de matar. Porque meu pai é assim? O que custava me deixar usar seu carro? Eu não sou um delinquente.

Entrei na escola e tive um choque. Puta merda. Parece um palácio. É como eu disse: não julgue o livro pela capa. A escola tinha aproximadamente 7 andares. Como era possível? Do lado de fora parecia ser no máximo três. Algo está completamente errado. Mas isso não importa. O que realmente importa é que não é uma escola para delinquentes. Não vou negar que fiquei parecendo um turista no meio do “pátio” enquanto a galera ia e vinha.

— Seja bem vindo. — me assustei e virei rapidamente.

Era um trio. Uma gata e dois caras. Puta merda, a gata é realmente gata. Ela estava usando uma saia jeans de um palmo, salto alto e uma blusa que pouco importava. Ela deu um passo e sorriu.

— Seja bem vindo. Sou a Fernanda.

Sorri educadamente e estendi a mão. Segurei firme em sua mão delicada e quente. Cumprimentei-a dando dois beijos em suas bochechas. Na real, o que eu queria mesmo era agarrar ela e dar um beijo que ela nunca mais esqueceria.

— Esse é o Lucas — disse apontando para o cara moreno alto que assentiu — e esse é o Júnior.

O outro cara parecia ser divertido, diferente de Lucas que parece ser mais responsável e chato. Júnior era um pouco maior que eu. Com o corte de cabelo repicado.

— Como você — me corrigi — vocês, sabiam que eu sou novo aqui?

Júnior sorriu.

— Sua cara de surpreso ao entrar aqui é a mesma que todos fazem. Ninguém acredita no tamanho da escola.

 — Verdade. — novamente sendo monossilábico.

— Qual seu ano? Perguntou o grandalhão.

— Terceiro.

Júnior se aproximou de mim, colocou seu braço em meus ombros e saiu andando como se já nos conhecêssemos há dias.

— Você é da nossa turma cara, não acredito.

— Calma Júnior, não vai assustar o menino.

Menino?  Quantos anos o grandalhão acha que tenho Doze? Saímos caminhando pela escola.

Depois do tour pela escola, eu realmente percebi o quão grande ela é. Fernanda me apresentou algumas amigas, que por sinal, são lindas. Senti-me no paraíso. A última aula finalmente terminou e saí na frente antes da turma.

— Ei cara, espera.

Olhei para trás e vi Júnior correndo em minha direção. Parei e fiquei esperando. Ele chegou ofegante como se tivesse corrido em uma maratona.

— Está precisando fazer uns exercícios.

Ele assentiu.

— Sou sedentário.

— Então, o que houve?

Ele esperou o barulho dos alunos que estavam indo embora passarem e então disse:

— Vai ter uma festa algumas ruas daqui. Está afim?

Era tudo que eu queria naquele momento. Mas tinha dois obstáculos. O primeiro é que meu velho iria ficar preocupado. E o segundo é que estou sem carro. Mas é claro que eu não disse nada disso.

— Putz, eu bem que queria, mas, sou novo aqui, conheço nada.

Ele deu uma tapa em minha cabeça.

— Acorda mano. Você vai está comigo.

Fiquei receoso, mas perguntei.

— Fernanda vai?

Ele riu e falou tão baixo que parecia um sussurro.

— Você está a fim de dar uns pegas nela, não é?

Não queria sorrir. Um sorriso confirma tudo em momentos que você não quer afirmar nada.

— Bom… — ele deu uns passos, colocou a mão em minhas costas e saiu caminhando. Eu estava acompanhandoo. — Eu posso ser o padrinho. Me entende?

Ele estava começando a falar minha língua.

— Estou sem carro.

— Estou de moto.

Assenti e o segui.

Sua moto estava atrás da escola em uma rua deserta. Caralho. Eu não quis mostrar meu espanto. A moto dele é a Kawa EP-6n 2012. Ele ligou a moto e fez sinal, corri e sentei na garupa. Estou começando a gostar desse lugar. Partimos com destino à festa.

(Para ler o capítulo 3, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.
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