A Menina do Casarão – Capítulo 4

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Wesley, acorda.

Senti meu pai me balançando. A luz do sol estava afetando meus olhos.

— Você está bem? — Ele via a preocupação em meus olhos.

— Estou. Menti.

— Você estava gemendo e suando frio.

Sentei na cama enrolado na coberta.

— Foi só um pesadelo de nada. Já passou.

Obviamente, alguma coisa estava acontecendo.

— Preciso de sua ajuda com umas caixas lá embaixo no porão, mas é melhor eu terminar sozinho.

Essa era a chance de eu conseguir o colar e me livrar daquele fantasma.

— Já vou descer. Só vou escovar os dentes.

Meu velho saiu e corri para o banheiro. Enquanto escovava os dentes pensei em tudo que tinha acontecido. Puta merda, parecia tão real. Minha mente tentava processar tudo, mas como eu encontraria um colar que não tinha descrições dos detalhes? Ouvi o som de buzina. Quem seria?

Desci as escadas correndo e meu pai já estava na porta.

— Aqui está ele.

Com quem meu pai falava? Não demorou muito para reconhecer a voz.

Aproximei da porta e tive certeza.

— Ei cara, você está bem?

Sem reação só consegui dizer:

— Como você achou minha casa?

Ele sorriu e entrou.

— As notícias aqui correm e eu não moro muito longe. Logo soube que era você o maluco que veio morar nesse casarão.

— Do que você está falando? Senti meus pelos eriçarem.

— Não acredito que você não sabe da história dessa casa?

Lembrei que Margaret queria me contar algo, mas foi interrompida por causa de meu pai. Será que era a história da casa? Eu balancei minha cabeça.

— Pior que não. Mas, cara, antes de tudo. O que aconteceu ontem na festa?
Ele respirou e eu pude ouvir.

— Nada demais. Apenas bebemos. Depois eu trouxe você para casa. Esse é um dos motivos pelo qual sei onde você mora.

Ele parecia sincero.

— Você me drogou?

Ele riu.

— Qual é cara, eu jamais faria isso contigo.

Assenti.

— Desculpa, é que acordei com essa marca.

Mostrei a marca, ele analisou, mas nada disse.

—E então… — disse,  sentindo meu estômago revirando.

— Cara, as coisas estão mais além do que eu esperava.

— Do que você está falando?

Nada estava fazendo sentindo.

Antes que ele pudesse falar. Contei sobre o colar e sobre Margaret. Ele apenas concordava ou dizia “hurum”, como se já soubesse de tudo.

— Vamos lá ao porão. Meu velho precisa de uma mãozinha.

— Agora tem duas.

Ele me deu uns tapinhas nas costas e descemos as escadas.

Essa era a primeira vez que tinha ido ao porão da mansão. O lugar estava com um cheiro de queimado, mofo e sujeira. Tudo misturado. Caixas e mais caixas estavam jogadas ao chão. Roupas velhas, quadros. Perguntei-me como meu velho estava conseguindo respirar ali.

— Meu velho, trouxe uma mão extra.

Ele olhou para Júnior e voltou a organizar as pilhas de caixa.

— Ajuda é sempre bem vinda.

Assenti para Júnior e ele me seguiu. Começamos a remexer nas caixas que estavam no chão. Baratas, ratos, lagartixas, aranhas já tinham feito seus ninhos. Era difícil colocar a mão dentro da caixa e não sentir um ratinho passeando. Agradeço a Deus por não ser uma menina.

Perdemos a noção do tempo e não encontramos.

Júnior olhou para seu pulso e se assustou.

— Nossa, cara. Está na hora do almoço. Tenho que ir embora.

— Almoce com a gente hoje.

Senti que ele ficou receoso.

— Relaxa, cara, meu velho é assim, mas é gente boa.

Ele sorriu constrangido e voltamos para sala.

(Para ler o capítulo 5, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.
    • Débora
    • 13 novembro, 2012

    Estou realmente gostando do seu texto, ele me prende é leve e gostoso de ler. Fico a espera do próxima e ultima parte…será o final da história ou tudo que teremo por enquanto?

  1. Olá Débora. Fico feliz que esteja gostando. Até então só tenho escrito os 5 capítulos. Até pensei em uma continuação, mas a falta de tempo é terrível.

  1. 11 novembro, 2012

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