A Menina do Casarão – Capítulo 5

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Pode me contar a história — estamos sentados à mesa.

Júnior ainda estava meio tímido por causa de meu pai.

— Meninos, vou almoçar em meu quarto.

Sorri para meu velho que correspondeu com a cabeça.

— Eu moro aqui desde pequeno e sempre ouvi comentários sobre os Vandeburg.

Tomei um gole do refrigerante.

— Que tipos de comentários?

— Que eles eram diferentes.

Comi mais uma garfada de macarrão.

— Eles tinham poderes.

Júnior assentiu enquanto tomava um gole de suco de uva.

— O pai das meninas não aceitava que elas usassem seus “poderes” dentro de casa. Ele sempre chamava as filhas de aberrações, filhas do demônio e coisas do tipo.

— E a mãe delas? Perguntei curioso.

— Ela não se envolvia naquilo. O marido também a recriminava.

— Mas ele não sabia que ela era diferente quando a conheceu? Eu estava apreensivo.

— Não. Ela escondia de todos. Segundo os mais velhos da cidade, ela tinha fugido de um vilarejo no qual foi descoberto sobre sua família. — ele tomou mais um gole de suco e continuou — Então eles se conheceram e tiveram três filhas. Mas a infância deles não foi lá essas coisas. Elas faziam coisas acontecerem. Tipo o copo quebrar enquanto o pai bebia água. Elas não podiam se estressar que as lâmpadas da casa estouravam.

— E o colar? Minha voz estava estranha; trêmula.

— O colar é o amuleto da família Vandeburg. Está na família a gerações e o pai descobriu que afastando o colar das meninas seus poderes enfraqueciam. E ele teve a péssima idéia de tocar fogo no colar.

— A casa pegou fogo. Sussurrei como se estivesse comentando algum erro ao dizer aquilo.

 — Exatamente.

Júnior estava com a faca e o garfo na mão. Segurando os dois fortemente.

—Wesley.

Eu me assustei, sem fôlego.

— Você ouviu?

Júnior assentiu.

As janelas do casarão se fecharam produzindo um barulho ensurdecedor. Só pensei em meu velho. O que ele iria dizer daquilo?

Uma névoa pairou na cozinha formando uma imagem. Era ela… Margaret.

— Preciso que vocês encontrem o colar. Meu tempo está esgotando.

— Que tempo? Margaret se virou para mim e suspirou.

— Hoje é dia dos mortos. E nossa linhagem não pode ficar muito tempo afastada do colar. Temos um prazo. Eles estão me cobrando.

— Mas por que você? Uma ventania surgiu.

— Quando o colar foi destruído junto comigo, eu fiquei ligada a ele totalmente. Toda a minha linhagem perdeu seus poderes e é preciso que eles retornem para mim, assim poderei me desfazer dele e descansar em paz.

— Para onde foi que seu pai levou o colar antes de tocar fogo?

Isso estava me dando arrepios.

— No quintal. Por favor, encontrem e levem para meu túmulo antes da meia-noite, ou caso contrário. — Ela era um fantasma mais eu vi lágrimas escorrerem de seus olhos — minha linhagem será exterminada para sempre. Todos irão virar pó.

A sua imagem se dissipou e tudo voltou ao normal. Corri atrás de Júnior que estava no quintal à procura do colar.

— Precisamos achar marcas de fogo.

As horas passaram como se fossem nossa inimiga e o tempo se revoltou contra nós dois. Uma tempestade estava caindo lá fora e já era quase dez da noite.

— Temos menos de duas horas.

— E se não conseguirmos?

Silêncio.

— Árvores.

— O que? Júnior estava sem entender.

— Se a casa pegou fogo e começou do quintal, certamente foi próximo a uma árvore.

Voltamos para o quintal debaixo de chuva e cavamos buracos e mais buracos ao redor da única árvore. Como fomos burro. Só podia estar lá. Um pingo de esperança.  Eu nunca tinha me envolvido totalmente em algo. E não sabia o motivo de estar envolvido nisso. A pá bateu em algo duro. Chamei Júnior que se aproximou. Estávamos ensopados. Cavamos mais um pouco e lá estava. O colar da família Vandeburg.

Corremos para a rua, a tempestade estava pior. Júnior pegou a chave de sua Kawa EP-6n 2012 e partimos em direção ao cemitério.

As pistas estavam escorregadias e Júnior estava a 70 km/h. Entramos em uma rua esburacada, quase caímos em um dos buracos. Tudo estava contra nós, mas não tínhamos tempo, faltava apenas meia hora. A linhagem de Margaret dependia de nós.  Júnior pisou no freio e giramos na escuridão. Por um momento eu senti que estávamos voando, mas não, ainda estávamos na moto. Os faróis; algo apareceu no meio da rua. Júnior desviou e aumentou a velocidade. Olhei para trás, mas não havia ninguém. 10 minutos. Eu já podia enxergar o cemitério de longe. Ele ficava no alto da colina. Só tínhamos que subir uma rua e chegaríamos.

— Pronto para a maior aventura de sua vida?

—Espero ser a maior e única. — Eu não falava, gritava por causa do vento.

Júnior aumentou a velocidade e subimos a rua em alta velocidade, a 90 km/h. Meu coração estava a mil. Eu gosto de viver a vida perigosamente. Na verdade, todos nós gostamos, mas poucos têm coragem. Por um momento senti vontade de abrir os braços, mas se eu fizesse isso, poderia despencar da moto. Então a única opção foi gritar. 7 minutos.

Chegamos ao cemitério e encontramos mais um obstáculo. O portão estava fechado.

— Vamos ter que pular. — disse.

— Ora, cara, vamos nessa.

Subimos os portões e pulamos. Corremos em direção ao Túmulo de Margaret. Nossa sorte é que os túmulos são organizados em ordem alfabética. 4 minutos. Lá estava o túmulo dela. Empurramos a  pedra de mármore. Na verdade, tentamos, pois a pedra não saiu do lugar.

Voltamos a  empurrar a pedra. Depois do que pareceu uma eternidade, a pedra se moveu. Só mais um pouco de força, só mais um pouco. Empurramos, empurramos e empurramos. 2 minutos. A pedra se moveu por completo. Abrimos o túmulo de Margaret, um cheiro insuportável saiu de dentro. Coloquei o rosto enquanto apertava o nariz com os dedos para não sentir o fedor. Lá estava ela, da mesma forma em que a vi da primeira vez. Com metade do rosto queimado. Então percebi que parte do colar também estava amassado. Sua ligação com ele era tão forte que tudo que o colar sentiu, ela também sentiu.

— Wesley. — olhei. Pela primeira vez Júnior me chamou pelo meu próprio nome.

— Coloque o colar.

50 segundos.

Me estiquei mais um pouco e quase caí dentro do túmulo. Coloquei o colar no pescoço de Margaret e empurramos a pedra para seu lugar.  A chuva tinha piorado e estava relampejando.

5 segundos.

4 segundos.

3 segundos.

2 segundos.

1 segundo.

Meia-Noite.

FIM!

POR: DIEGO SOUSA.
    • Bom!!!Desta vez achei que vc correu demais para finalizar seu conto….apesar que engracado, tudo tinha realmente que ser rapido para que o colar fosse devolvido, entao cumprio-se a historia. Afinal e um conto.Valeu e parabens
    • 19 novembro, 2012

    O conto seguiu seu fim com a rapidez nescessaria de terminar e deixou um Q de quero mais. Parabens

    • Beatriz Barros
    • 25 dezembro, 2012

    Gostei😀

  1. 19 novembro, 2012

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