Ao país que não sabe ler

Mais uma semana vai se acabando e, junto com ela, mais uma postagem minha. Numa semana onde teve a morte do Niemeyer (homem que já pensavam em usar como prova da existência dos highlanders), vários assuntos interessantes brotam. Fui instintivamente moldado a abortar o comunismo, as obras do que muitos chamam de “o maior arquiteto brasileiro” (e quem sou eu para discordar?), assim como a interferência no estado a partir de um simples civil que não tinha poderes políticos oficiais ou cargo em grandes corporações. Mas, sendo sincero, nunca li “O Capital” completo, não conheço muito mais que cinco obras projetadas por ele e nem posso comentar muito sobre suas interferências na vida social além das piadas por sua idade de três dígitos. Mas essa não foi a única novidade que me despertou interesse, a chegada da Amazon no Brasil também.

A empresa, fundada em 1994, demorou 18 anos para chegar ao Brasil (vejam, estavam esperando ela ficar de maior), e, mesmo que o Kindle ainda não tenha sido lançado, os preços atrativos já são o bastante. Tirando toda aquela história sobre atos que ferem a ética de negócios cometida pela Saraiva, há de se questionar a demora para uma empresa tão grande chegar num país com 200 milhões de habitantes. Protecionismo, políticas estranhas, desinteresse com a língua portuguesa – teorias são várias, e, como não trabalho com o negócio de livrarias, nenhuma pode ser comprovada, mas há uma verdade a ser reconhecida e distancia qualquer rede de livraria daqui: brasileiro não gosta de ler (ou, mesmo, não sabe ler “funcionalmente”). Aqui até distancio da qualidade da leitura (não irei usar o jargão de que toda a leitura é construtiva), mesmo que seja Stephenie Meyer, o ato de decifrar letras incomoda grande parte da nação – mesmo que haja 200 milhões de habitantes, grande parte não leem fluentemente o bastante para sentir prazer com a leitura, ela passa a ser irritante.

Podendo soar um tanto soberbo, mas com um certo tom de sinceridade, a Amazon demorou tanto para vir porque somos burros. Não se vende livro para quem não sabe ler; não duvido que essa tenha sido uma das principais questões abordadas nas reuniões. Ainda que agora se tenha um público bastante aberto a aventuras juvenis e, num outro lado, histórias de auto-superação e auto-ajuda, o hábito da leitura, mesmo como fonte de informação, é algo excluso na cultura brasileira. É um país acostumado a tudo embalado e mastigado para ser exibido em forma de meio áudio-visual de qualidade televisava, não é de se admirar que uma empresa especializada em linguagem escrita tenda a demorar para chegar aqui.

  1. Gostei do ponto de vista e da menção que eu não tinha pensado ainda ‘Amazon chegou no BR sendo maior de idade’ rsrsrs.
    Olha, não posso discordar do fato que o brasileiro lê pouco, mas só complementando o pensamento, se o Brasil fosse tão ‘ruim’ assim na literatura, jornais já teriam fechado as portas com a chegada do tablet que não foi em 2012, a Saraiva não seria a maior empresa de livros e outros do mercado nacional e a FNAC não sairia da Europa pra apostar no Brasil e ficar entre uma das empresas mais conhecidas em livros e eletrônicos (tipo a saraiva) ao menos em SP.
    Você sabe que a Amazon só veio para o Brasil por conta dos Tablets e e-books com a Google cada vez mais querendo mercado aqui não é?
    Abraço

    • Sei. Quanto isso, é notável que o Brasil é um mercado em crescimento- e esse crescimento ficou mais acentuado nos últimos anos, porém também há o número de habitantes- mesmo que apenas 1/10 da população consuma algo, já seria o bastante para gera ótimos lucros.

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