A Menina do Casarão – Capítulo 5

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Pode me contar a história — estamos sentados à mesa.

Júnior ainda estava meio tímido por causa de meu pai.

— Meninos, vou almoçar em meu quarto.

Sorri para meu velho que correspondeu com a cabeça.

— Eu moro aqui desde pequeno e sempre ouvi comentários sobre os Vandeburg.

Tomei um gole do refrigerante.

— Que tipos de comentários?

— Que eles eram diferentes.

Comi mais uma garfada de macarrão.

— Eles tinham poderes.

Júnior assentiu enquanto tomava um gole de suco de uva.

— O pai das meninas não aceitava que elas usassem seus “poderes” dentro de casa. Ele sempre chamava as filhas de aberrações, filhas do demônio e coisas do tipo.

— E a mãe delas? Perguntei curioso.

— Ela não se envolvia naquilo. O marido também a recriminava.

— Mas ele não sabia que ela era diferente quando a conheceu? Eu estava apreensivo.

— Não. Ela escondia de todos. Segundo os mais velhos da cidade, ela tinha fugido de um vilarejo no qual foi descoberto sobre sua família. — ele tomou mais um gole de suco e continuou — Então eles se conheceram e tiveram três filhas. Mas a infância deles não foi lá essas coisas. Elas faziam coisas acontecerem. Tipo o copo quebrar enquanto o pai bebia água. Elas não podiam se estressar que as lâmpadas da casa estouravam.

— E o colar? Minha voz estava estranha; trêmula.

— O colar é o amuleto da família Vandeburg. Está na família a gerações e o pai descobriu que afastando o colar das meninas seus poderes enfraqueciam. E ele teve a péssima idéia de tocar fogo no colar.

— A casa pegou fogo. Sussurrei como se estivesse comentando algum erro ao dizer aquilo.

 — Exatamente.

Júnior estava com a faca e o garfo na mão. Segurando os dois fortemente.

—Wesley.

Eu me assustei, sem fôlego.

— Você ouviu?

Júnior assentiu.

As janelas do casarão se fecharam produzindo um barulho ensurdecedor. Só pensei em meu velho. O que ele iria dizer daquilo?

Uma névoa pairou na cozinha formando uma imagem. Era ela… Margaret.

— Preciso que vocês encontrem o colar. Meu tempo está esgotando.

— Que tempo? Margaret se virou para mim e suspirou.

— Hoje é dia dos mortos. E nossa linhagem não pode ficar muito tempo afastada do colar. Temos um prazo. Eles estão me cobrando.

— Mas por que você? Uma ventania surgiu.

— Quando o colar foi destruído junto comigo, eu fiquei ligada a ele totalmente. Toda a minha linhagem perdeu seus poderes e é preciso que eles retornem para mim, assim poderei me desfazer dele e descansar em paz.

— Para onde foi que seu pai levou o colar antes de tocar fogo?

Isso estava me dando arrepios.

— No quintal. Por favor, encontrem e levem para meu túmulo antes da meia-noite, ou caso contrário. — Ela era um fantasma mais eu vi lágrimas escorrerem de seus olhos — minha linhagem será exterminada para sempre. Todos irão virar pó.

A sua imagem se dissipou e tudo voltou ao normal. Corri atrás de Júnior que estava no quintal à procura do colar.

— Precisamos achar marcas de fogo.

As horas passaram como se fossem nossa inimiga e o tempo se revoltou contra nós dois. Uma tempestade estava caindo lá fora e já era quase dez da noite.

— Temos menos de duas horas.

— E se não conseguirmos?

Silêncio.

— Árvores.

— O que? Júnior estava sem entender.

— Se a casa pegou fogo e começou do quintal, certamente foi próximo a uma árvore.

Voltamos para o quintal debaixo de chuva e cavamos buracos e mais buracos ao redor da única árvore. Como fomos burro. Só podia estar lá. Um pingo de esperança.  Eu nunca tinha me envolvido totalmente em algo. E não sabia o motivo de estar envolvido nisso. A pá bateu em algo duro. Chamei Júnior que se aproximou. Estávamos ensopados. Cavamos mais um pouco e lá estava. O colar da família Vandeburg.

Corremos para a rua, a tempestade estava pior. Júnior pegou a chave de sua Kawa EP-6n 2012 e partimos em direção ao cemitério.

As pistas estavam escorregadias e Júnior estava a 70 km/h. Entramos em uma rua esburacada, quase caímos em um dos buracos. Tudo estava contra nós, mas não tínhamos tempo, faltava apenas meia hora. A linhagem de Margaret dependia de nós.  Júnior pisou no freio e giramos na escuridão. Por um momento eu senti que estávamos voando, mas não, ainda estávamos na moto. Os faróis; algo apareceu no meio da rua. Júnior desviou e aumentou a velocidade. Olhei para trás, mas não havia ninguém. 10 minutos. Eu já podia enxergar o cemitério de longe. Ele ficava no alto da colina. Só tínhamos que subir uma rua e chegaríamos.

— Pronto para a maior aventura de sua vida?

—Espero ser a maior e única. — Eu não falava, gritava por causa do vento.

Júnior aumentou a velocidade e subimos a rua em alta velocidade, a 90 km/h. Meu coração estava a mil. Eu gosto de viver a vida perigosamente. Na verdade, todos nós gostamos, mas poucos têm coragem. Por um momento senti vontade de abrir os braços, mas se eu fizesse isso, poderia despencar da moto. Então a única opção foi gritar. 7 minutos.

Chegamos ao cemitério e encontramos mais um obstáculo. O portão estava fechado.

— Vamos ter que pular. — disse.

— Ora, cara, vamos nessa.

Subimos os portões e pulamos. Corremos em direção ao Túmulo de Margaret. Nossa sorte é que os túmulos são organizados em ordem alfabética. 4 minutos. Lá estava o túmulo dela. Empurramos a  pedra de mármore. Na verdade, tentamos, pois a pedra não saiu do lugar.

Voltamos a  empurrar a pedra. Depois do que pareceu uma eternidade, a pedra se moveu. Só mais um pouco de força, só mais um pouco. Empurramos, empurramos e empurramos. 2 minutos. A pedra se moveu por completo. Abrimos o túmulo de Margaret, um cheiro insuportável saiu de dentro. Coloquei o rosto enquanto apertava o nariz com os dedos para não sentir o fedor. Lá estava ela, da mesma forma em que a vi da primeira vez. Com metade do rosto queimado. Então percebi que parte do colar também estava amassado. Sua ligação com ele era tão forte que tudo que o colar sentiu, ela também sentiu.

— Wesley. — olhei. Pela primeira vez Júnior me chamou pelo meu próprio nome.

— Coloque o colar.

50 segundos.

Me estiquei mais um pouco e quase caí dentro do túmulo. Coloquei o colar no pescoço de Margaret e empurramos a pedra para seu lugar.  A chuva tinha piorado e estava relampejando.

5 segundos.

4 segundos.

3 segundos.

2 segundos.

1 segundo.

Meia-Noite.

FIM!

POR: DIEGO SOUSA.

As Titânides

As Titânides, na Mitologia Grega, são as seis filhas de Gaia e Urano. São irmãs dos Titãs e 6 ao todo. Falarei um pouco sobre cada uma delas.

Teia

Teia é a primeira titânide e não tem um mito próprio. Apenas sabe-se sobre esta deusa que ela foi desposada por seu irmão, Hipérion, e que com ele gerou três  deuses: Hélio, o antigo deus do sol; Selene, a antiga deusa da lua e Eos, a aurora.

Reia

Reia é a Rainha Titânide, aquela qual Cronos desposou e que reinou durante a Era de Ouro. Foi ela um dos pivôs para a salvação do pequeno Zeus, do triste destino de seus outros irmãos. É concebida como uma deusa da fertilidade assim como sua mãe, Gaia, e também assimilada no culto da cabeça (no que diz respeito à loucura e tal). É tida como uma deusa forte e uma das deusas-mãe. Tem como animal símbolo o leão e é representada numa carruagem puxada por esses animais. 

Têmis

A titânide Têmis é tida e associada como a deusa da justiça. Guardiã dos juramentos humanos e da lei. Foi a segunda esposa de Zeus e com ele foi mãe das Horas, as musas responsáveis pelas estações do ano. Sendo elas Eunômia, Diké e Irene. Foi criada pelas Moiras, juntamente com sua prima Nêmesis. Foi com elas que ambas aprenderam todo o senso de justiça e da ordem natural das coisas. Talvez e provavelmente por causa disso, a esfera de atuação das duas deusas, Têmis e Nêmesis, sejam tão parecidas. É uma das deusas mais sábias e sua influência no Olimpo era bastante significativa, principalmente em reuniões. Foi ela quem instruiu Deucalião e Pirra no que concerne ao repovoamento da humanidade após o dilúvio. Além de muito sábia, Têmis foi a segunda a presidir o Oráculo de Delfos.

Mnemosine

Mnemosine é a titânide da memória, aquela que preserva do esquecimento. Foi uma espécie de consorte de Zeus, e com este gerou nove deusas, as musas: Calíope – a musa da poesia épica, Clio – musa da história, Érato – da poesia romântica, Euterpe – a musa da música, Melpômene – tragédia (essa daí, sem dúvida alguma, inspirou muito os gregos), Polímnia – musa dos hinos, Terpsícore – a musa da dança, Tália – comédia e Urânia – a musa da astronomia. Naquela época, memória era sem dúvida uma coisa muito importante, imaginem o quanto esta deusa não devia ser cultuada.

Febe

Febe é considerada a mais bela dentre as titânides, chamada “a coroada Febe”. É provável que seja a primeira deusa da lua, principalmente da lua cheia. Seu nome significa “brilhante”, epíteto este que foi emprestado a seu neto, Apolo, que passou a ser chamado Febo-Apolo. E por falar em emprestar, Febe foi quem presenteou a Apolo com o Oráculo de Delfos, sendo ela a terceira a presidi-lo. Foi casada com seu irmão, Hipérion, e com ele gerou Leto, deusa do anoitecer, mãe de Ártemis e Apolo; e Astéria, uma antiga deusa estelar, que era cortejada por Zeus insistentemente. Para fugir da perseguição do Senhor do Olimpo, esta transformou-se em uma ave e atirou-se ao mar, originando uma cidade que posteriormente chamaria-se Delos, onde Leto pariu seus filhos. Foi a mãe de Hécate.

Tétis

A titânide caçula. É comumente confundida com a nereida, mãe de Aquiles, que possui o mesmo nome que o seu, Tétis. A Tétis Titânide foi cônjuge de Oceano e com ele gerou as três mil Oceânides, ninfas das profundezas do mar e do oceano. A titânide era uma divindade marinha e representava a fecundidade do mar, suas filhas geraram três mil rios. Foi esta deusa quem cuidou de Hera.

Ganhe ou Morra!

Quando um livro tende a ser um sucesso, não importa quanto tempo passe desde o seu lançamento até que ele seja reconhecido. Se o destino assim quiser, será. E foi exatamente assim que aconteceu com “A Guerra dos Tronos”, o livro do qual falarei hoje. Lançado em 1996, apenas recentemente o romance conquistou o devido “respeito” e aceitação por parte de um grande público.

Em minhas várias andanças às livrarias da vida, sempre via o livro. Mas confesso que tinha um certo receio de comprá-lo e/ou lê-lo. Porque, convenhamos, o livro é enorme. Porém, um dia, eu estava sem fazer nada, zapeando os canais, quando paro na HBO e está passando um seriado chamado “Game of Thrones”, o primeiro episódio por sinal. Como estava “de prega”, fui assistir. E me apaixonei pelo seriado. Acompanhei a temporada inteira e fiquei apaixonado por aquele universo. Quão grande não foi a minha surpresa ao descobrir que se tratava da adaptação daquele livro que eu havia desprezado (não julgue um livro pelo tamanho. haha’).

Não que eu tenha medo de livros grandes, muito pelo contrário, e me arrependi profundamente de não ter lido a obra antes. É muito perfeito. E a série é realmente muito fiel ao livro, além de ter me ajudado bastante a entender e memorizar personagens. Visto que são inúmeras pessoas, casas, nobres e você se perde no meio de tanta gente.

O livro é o primeiro de uma série de sete livros, escritos por George. R. R. Martin. Inicialmente a proposta da saga era de ser uma trilogia, mas com o tempo foi aumentando, e atualmente esperamos por sete romances. O primeiro romance do autor foi “A Morte da Luz” (1977), que foi recentemente trazido pela Leya, editora que também publica As Crônicas de Gelo e Fogo (nome da série de livros). George tem 64 anos e é roteirista e escritor de ficção científica, terror e fantasia. Ele começou a escrever seus contos em 1970. Podemos observar seus dotes no que diz respeito à terror em “Ruas Estranhas“, uma coletânea, que conta com diversos autores escrevendo sobre terror urbano. Frequentemente Martin é comparado a Tolkien, e eu, sem sobra de dúvidas, acho que ele seja realmente melhor. Ao contrário de Tolkien, George não tem certos pudores no que diz respeito às descrições e ações. Ele os demonstra vividamente, e torna os seus personagens os mais reais possíveis, apesar de ser uma ficção. E ele mesmo admite e brada isso aos quatro ventos.

O romance é narrado sob diversos pontos de vista. A história principal foca-se na vinda de Lorde Eddard Stark a Porto Real, a pedido do próprio rei de Westeros, Robert Baratheon, para tornar-se a Mão do Rei, um conselheiro pessoal e executor das tarefas do reino. Digamos que um faz tudo, e também principal conselheiro militar. Lorde Eddard, à princípio, fica meio receoso de ir à cidade real e deixar sua família. Mas uma carta da irmã de sua mulher muda tudo: A antiga Mão era esposo dela, e na carta ela dizia que ele havia sido assassinado. Acontece que a antiga Mão, Jon Arryn, fora tutor de Eddard e de Robert. Ned então sente-se no dever de investigar a morte do antigo mestre e quiçá vingá-lo. Movido por isso, ele muda-se para Porto Real. Afim de proteger seu amigo e saber mais da morte de seu mestre.

Todavia, ele não vai sozinho. Leva consigo suas duas filhas, Arya e Sansa. Sendo que a segunda acaba sendo prometida ao príncipe Joffrey. Chegando na corte, Lorde Stark vê-se envolvido num perigoso jogo, cercado de tramas e mentiras, o Jogo dos Tronos. Afinal, o que não se faz pelo poder?! A única coisa que resta a Eddard é procurar a verdade, e ele o faz com muita, muita honra. Paralelo a isso, temos outras variadas histórias.

Acompanhamos Daenerys Targaryen, uma jovem de 14 anos e seu irmão Viserys, de 21. Os últimos remanescentes da Dinastia Targaryen. Ao mesmo tempo que somos expectadores da Muralha e do caminho de Jon Snow. 

SINOPSE:
A Guerra dos Tronos
Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias. Sabe-se que Lorde Stark aceitou a proposta porque desconfia que o dono anterior do título fora envenenado pela manipuladora rainha – uma cruel mulher do clã Lannister – e sua intenção é proteger o rei. Mas ter como inimigo os Lannister pode ser fatal: a ambição dessa família pelo poder parece não ter limites e o rei corre grande perigo. Agora, sozinho na corte, Eddard percebe que não só o rei está em apuros, mas também ele e toda sua família.

Este, sem sombra de dúvidas, é um dos melhores livros que eu já li na vida. A história, a princípio confusa, mostra-se muito bem construída no decorrer das páginas. No início da resenha, disse que estava meio temeroso com relação ao número de páginas. Mas quando você vai saboreando e descobrindo cada nova página e capítulo, depara-se com uma coisa facílima de ler. É claro que pode demorar um pouco para que se leia tudo, porém, quando for terminado, verá que valeu muito a pena. E mais que isso. Ficará super ansioso para ler os próximos volumes.

A divisão da narração, sobre o ponto de vista de determinados personagens, apenas apimenta e acelera a leitura. Porque você está empolgado lendo sobre alguém e de repente muda, o que só te instiga mais. E outra coisa que isso proporciona, é conhecer um pouco mais das “pessoas” envolvidas. Pois, é muito comum que nós logo de cara odiemos ou amemos determinado personagem. Mas com essa narração tudo fica diferente. Nós percebemos a motivação que levou a tal ato; podemos discordar ou concordar; amar ou odiar tal personalidade a cada página. Isso é muito bom. Sem essa distinção de mocinho ou vilão. O mocinho, em menos de cinco capítulos, pode tornar-se o vilão mais odiado.

O quinhão de fantasia também é muito bem distribuído. Ao mesmo tempo que temos aquela coisa fictícia, temos o horror da guerra, o sangue jorrando, as pessoas trepando, tudo a olhos vistos. E um conselho, nada de morrer de amores por determinado personagem, afinal, você não sabe quando ele vai realmente morrer. É uma espécie de realidade no livro. Nada daquela ideia de que o protagonista é imortal, e que ele fizer irá levá-lo à morte. Não. Se ele fizer uma cagada, essa cagada pode custar-lhe a vida.

Porém, um aviso. Esta não é uma obra para qualquer um ler. Não. Você precisar estar preparado. Nada de “mimimi” ou vergonhas. Esqueça os seus conceitos, entregue-se completamente à leitura, tenho certeza de que não se arrependerá. E uma frase que me marcou e que me ajudou a nomear a resenha, mas que ao mesmo tempo define, na minha opinião, toda a obra é:

Quando se joga o jogos dos tronos, ganha-se ou morre. 
Cersei Lannister.

Enfim, aproveite muito a leitura e compre o livro! Vale realmente a pena. E se você não entender nada, experimente ver a série ao mesmo tempo em que lê o livro, ou então veja primeiro a série e depois leia a série. Eu fiz a segunda opção e deu muito certo. Boa leitura!

A Menina do Casarão – Capítulo 4

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Wesley, acorda.

Senti meu pai me balançando. A luz do sol estava afetando meus olhos.

— Você está bem? — Ele via a preocupação em meus olhos.

— Estou. Menti.

— Você estava gemendo e suando frio.

Sentei na cama enrolado na coberta.

— Foi só um pesadelo de nada. Já passou.

Obviamente, alguma coisa estava acontecendo.

— Preciso de sua ajuda com umas caixas lá embaixo no porão, mas é melhor eu terminar sozinho.

Essa era a chance de eu conseguir o colar e me livrar daquele fantasma.

— Já vou descer. Só vou escovar os dentes.

Meu velho saiu e corri para o banheiro. Enquanto escovava os dentes pensei em tudo que tinha acontecido. Puta merda, parecia tão real. Minha mente tentava processar tudo, mas como eu encontraria um colar que não tinha descrições dos detalhes? Ouvi o som de buzina. Quem seria?

Desci as escadas correndo e meu pai já estava na porta.

— Aqui está ele.

Com quem meu pai falava? Não demorou muito para reconhecer a voz.

Aproximei da porta e tive certeza.

— Ei cara, você está bem?

Sem reação só consegui dizer:

— Como você achou minha casa?

Ele sorriu e entrou.

— As notícias aqui correm e eu não moro muito longe. Logo soube que era você o maluco que veio morar nesse casarão.

— Do que você está falando? Senti meus pelos eriçarem.

— Não acredito que você não sabe da história dessa casa?

Lembrei que Margaret queria me contar algo, mas foi interrompida por causa de meu pai. Será que era a história da casa? Eu balancei minha cabeça.

— Pior que não. Mas, cara, antes de tudo. O que aconteceu ontem na festa?
Ele respirou e eu pude ouvir.

— Nada demais. Apenas bebemos. Depois eu trouxe você para casa. Esse é um dos motivos pelo qual sei onde você mora.

Ele parecia sincero.

— Você me drogou?

Ele riu.

— Qual é cara, eu jamais faria isso contigo.

Assenti.

— Desculpa, é que acordei com essa marca.

Mostrei a marca, ele analisou, mas nada disse.

—E então… — disse,  sentindo meu estômago revirando.

— Cara, as coisas estão mais além do que eu esperava.

— Do que você está falando?

Nada estava fazendo sentindo.

Antes que ele pudesse falar. Contei sobre o colar e sobre Margaret. Ele apenas concordava ou dizia “hurum”, como se já soubesse de tudo.

— Vamos lá ao porão. Meu velho precisa de uma mãozinha.

— Agora tem duas.

Ele me deu uns tapinhas nas costas e descemos as escadas.

Essa era a primeira vez que tinha ido ao porão da mansão. O lugar estava com um cheiro de queimado, mofo e sujeira. Tudo misturado. Caixas e mais caixas estavam jogadas ao chão. Roupas velhas, quadros. Perguntei-me como meu velho estava conseguindo respirar ali.

— Meu velho, trouxe uma mão extra.

Ele olhou para Júnior e voltou a organizar as pilhas de caixa.

— Ajuda é sempre bem vinda.

Assenti para Júnior e ele me seguiu. Começamos a remexer nas caixas que estavam no chão. Baratas, ratos, lagartixas, aranhas já tinham feito seus ninhos. Era difícil colocar a mão dentro da caixa e não sentir um ratinho passeando. Agradeço a Deus por não ser uma menina.

Perdemos a noção do tempo e não encontramos.

Júnior olhou para seu pulso e se assustou.

— Nossa, cara. Está na hora do almoço. Tenho que ir embora.

— Almoce com a gente hoje.

Senti que ele ficou receoso.

— Relaxa, cara, meu velho é assim, mas é gente boa.

Ele sorriu constrangido e voltamos para sala.

(Para ler o capítulo 5, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.

Elizabeth and the Catapult

Oi galera! Desculpem minha ausência nas últimas semanas, a culpa é do ENEM! Mas hoje estou de volta e vim (pela terceira vez, e espero que dessa vez saia) escrever sobre uma das minhas bandas favoritas, Elizabeth and the Catapult ❤

Acho que eu tenho tanto ciúmes da banda, tanta intimidade com as músicas que meu ego não me permitia escrever sobre eles e compartilhá-los com mais ninguém, mas quando percebi o que meu subconsciente fazia me senti horrível e vim reescrever esse post.

Eu milagrosamente encontrei a banda enquanto vagava pelo youtube e me bati com Momma’s Boy, e fiquei imediatamente encantado com a voz da linda Elizabeth Ziman, e com a musicalidade maravilhosa que a banda tem, e além das letras super incríveis. E logo procurei mais sobre eles, e me deliciei com performances ao vivo e gravações caseiras que tem aos montes no youtube. E o mais legal foi que eu os achei logo no lançamento do Taller Children, e acompanhei todo o crescimento da banda, tornando-me íntimo de cada acorde, cada ritmo, cada melodia ao longo do tempo, e afirmo que EATC é a banda mais especial para mim.

Eu honestamente não sei quando a banda começou, mas seu primeiro EP foi lançado em 2006, ganhou o prêmio de melhor banda underground da billboard, em 2008 assinou o primeiro contrato com um estúdio. E em 2009 lançou o primeiro álbum: Taller Children.


E nesse primeiro álbum é uma coisa deliciosa com direito a sensação de trabalho completo, o disco tem uma diversidade de estilos entre as músicas, com indie pop, folk, indie rock, e intercalando músicas tristes, animadas, relaxantes, fazendo do CD uma grande experiencia auditiva e sensitiva, vale MUITO a pena escutar o disco todo várias e várias vezes.

No finzinho de 2010 chegou o álbum The Other Side of Zero, que é absolutamente incrível! (e vocês podem escutar todo no site oficial). Foi um disco mais definido, com mais indie pop, que é totalmente viciante! E tem um toque de experiência e profissionalismo que não era tão presente no álbum anterior.

E o The Other Side of Zero é outro disco que vale a pena ouvir todinho, tem musicas lindas e com certeza você se apaixona por várias, além das letras perfeitas que já me levaram a tantos devaneios…

Atualmente o 3º disco está sendo criado e tem uma arrecadação para ajudar no projeto. Quem se interessar ajuda! E nesse canal do youtube tem umas músicas que serão do novo CD e alguns covers perfeitos, vale a pena conferir!

Espero que curtam bastante a banda e até semana que vem!

Bem vindos ao Massacre Quaternário!

“Em Chamas” é o segundo e penúltimo romance da trilogia “Jogos Vorazes”. Na minha opinião é o melhor romance da série e quiçá é o que apresenta a ação de uma maneira mais detalhada, ainda mantendo um ar instigante que “acelera” a trama. Seguramente, também é escrito por Suzanne Collins. 

Quando pensávamos (ou não) que Katniss e Peeta ficariam em paz e ilesos depois de terem humilhado e feito a Capital de palhaça, estávamos redondamente enganados. Acontece que a cada 25 anos ocorre um Massacre Quaternário. Mas o que seria isso? Simples! Nada mais, nada menos do que uma versão dos jogos vorazes, digamos que mais… Elaborada; intrincada, e a cada versão um jogo diferente é proposto, com um fato inesperado e inovador.

Só que dessa vez a tal “surpresa” é o retorno dos antigos vencedores. Ou seja, apenas os tributos que já foram vencedores poderão participar da colheita. O que é muito conveniente para o Presidente Snow que se viu completamente “desarmado” diante da atitude de Katniss na edição anterior dos jogos, já que os únicos vencedores do Distrito 12 são a própria Garota em Chamas, Peeta e Haymitch. Sendo óbvio que Haymitch não participará novamente.

Se em “Jogos Vorazes” eu tinha alguma dúvida com relação ao conteúdo, “Em Chamas” proporcionou-me uma experiência única, no que diz respeito à trilogia. O livro apresenta um ritmo muito bom, aquela narrativa envolvente de sempre, bem feita, e ainda por cima um quê de mistério. De um certo modo os personagens só me envolveram mais, principalmente Snow. Ele pode ser o “vilão” e tudo o mais, mas eu gosto dele.

E outra coisa que eu acho que vale-se a pena ressaltar, é sobre as facetas do ser humano que são claramente abordadas. O amor, o ódio, a rejeição, tudo sem muito mimimi. E além disso, a iminência  de um levante nos distritos e a organização dos vencedores para com isso. Tudo isso apenas me faz refletir sobre como a guerra muda as pessoas.

Em Chamas

Depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações nos distritos dão sinais de que uma revolta é iminente. Katniss e Peeta, representantes do paupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos – incluindo o próprio Peeta – acreditarem que são um casal apaixonado. A confusão na cabeça de Katniss não é menos do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos – transformados em verdadeiros ídolos nacionais – podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.

A Menina do Casarão – Capítulo 3

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

Acordei ofegante e suando frio — uma queda brusca, uma sensação estranha que se estendia por todo meu corpo. Estava tremendo. Apesar de estar suando, o frio da noite é intenso. Puxo as cobertas e cubro meus ombros, sentindo meu coração batendo rapidamente. A janela estava aberta. Por que minha janela estava aberta? Minha cabeça estava latejando. Preciso de um copo d’água. Levantei um pouco tonto, caminhei e acendi a luz. Será que foi efeito de toda bebida? Acho que não. Eu cheguei em casa lúcido e puto da vida por não ter conseguido ficar com Fernanda. Mas esse momento não é adequado para falar disso. Olho-me no espelho e noto um hematoma no pescoço. Não foi efeito da festa de forma alguma. Voltei para cama e sentei. O sonho foi reaparecendo em minha cabeça.

Eu não consegui ver seu rosto, apenas ouvi a sua voz sussurrando algo que não consegui decifrar. Seriam fantasmas? Não. De forma alguma. Eu não leio para ficar com a imaginação tão fértil a ponto de imaginar que fantasmas estavam tentando me avisar alguma coisa. Mas essa marca no meu pescoço é completamente louca. Quando chegar na aula vou perguntar a Júnior o que realmente aconteceu. Será que ele me drogou? Puta merda. Será que ele estava afim de mim, me drogou e… Não, nunca. Ele parece ser um cara tão gente boa. Não faria uma coisa dessas e se fizesse, eu acabaria com a raça dele. Ah, se acabaria. Talvez fosse algum mosquito que picou, ou cocei a noite. São tantas suposições.

— Wesley — Meu velho pergunta enquanto abre a porta do quarto. — Que diabo está fazendo acordado há essa hora?

Eu olho para meu relógio digital que marca 04h55min.

 — Um sonho estranho — eu digo, tentando parecer normal. E porque não estava normal? Desde quando eu me importava com um simples sonho incomum.

Ele entra e encosta a porta.

— Isso que dar chegar tarde e beber no seu primeiro dia de aula.

Bufei.

Se fosse assim, todas as vezes que eu chegava em casa travado da casa de Douglas eu deveria ter sonhos estranhos, mas não tinha.

— Acho que não.

Ele sentou ao meu lado na cama, olhei para ele, seus olhos castanhos escuros estavam cheio de preocupação. Sua fisionomia cansada e abatida.

— Você deveria estar descansando.

— Não estou com sono. Ele me fitava e eu estava ficando completamente sem graça. Meu pai era a única pessoa, depois de minha mãe que me deixava completamente sem graça.

— Te digo o mesmo.

Ele apertou os olhos.

— Moleque se orienta.

Abaixo a cabeça de vergonha.

— Desculpa.

Ele levanta da cama.

— Trate de descansar que amanhã você vai me ajudar a organizar toda essa bagunça.

Revirei os olhos.

— E a escola?

— Hoje é feriado.

Estava confuso.

— Feriado? De quê?

— Dia dos mortos.

Engoli a saliva e senti meu corpo tremer. Meu pai saiu do quarto e voltei a dormir, pelo menos tentei. Fiquei olhando para o teto velho do quarto. A única forma de pegar no sono é contando carneiros.

Ouvi uma batida forte na porta do meu quarto. Levantei assustado.

— Pai? Meu velho?

Levantei da cama. Notei que não estava mais tonto. Fui até a porta e abri, não tinha ninguém. Engoli a saliva. Voltei para cama e notei que a janela estava aberta. Fechei e me joguei na cama. Coloquei os braços atrás da cabeça e uma perna em cima da coxa. Fiquei pensando e pensando até ouvir uma voz.

— Wesley

A voz era serena.

Eu sentei em minha cama.

— Quem é?

— Margaret

O que há de errado comigo?

— Que diabos é Margaret?

Silêncio. Um longo silêncio.

Aquele silêncio me irritou. Dei um longo suspiro, me levantei e me encaminhei até a porta. Ela estava trancada, mas nesse instante estava aberta. Parecia loucura.

— Podemos conversar? Perguntou a voz.

Frio na barriga. Como vou conversar com alguém que não vejo?

— Conversar o quê?

Senti a brisa da noite em meu rosto. Arrepiei.

A luz da lua era a única coisa que iluminava o quarto.

— Não tenha medo e não se assuste.

Após suas palavras, eu vi algo aparecendo no canto do quarto. A imagem de uma menina. De início fiquei um pouco receoso. Mas, logo quando notei, fiquei calmo.

— Você é um fantasma?

— Não, tecnicamente.

— Como assim? Minha mente estava um pouco lenta.

— Estou morta e preciso do descanso eterno.

— Mas… — minha voz falhou — você deveria estar descansando.

Ela apareceu na luz. Senti um choque no meu corpo após ver aquela imagem deprimente. Ela tinha o cabelo louro com mechas rosa nas pontas, algumas tranças em parte do cabelo, mas isso não era o pior. Seu rosto. Senti algo embrulhar em meu estômago. E não estou de “frescura”. Seus pálidos olhos verdes e um sorriso na boca que apesar de deformada encantaria qualquer menino, não, menino não, fantasma. Ela possivelmente deveria ter minha idade, talvez dezessete ou dezoito no máximo, com uns centímetros a mais que eu. Ela dava um passo e parava até que eu pude ver por completo o seu rosto. Parte dele estava completamente queimado. O pior tipo de queimadura que eu já vi. A parte queimada estava funda, como se algo tivesse caído. Um pedaço de pau em chamas, ou sabe-se lá o quê. Pensei em perguntar, mas não queria constrangê-la. Fantasmas ficam constrangidos? Perguntei-me.

— Estou há tempos esperando por alguém que abrisse a porta pra mim.

Vestida com um camisão branco que tinha um desenho estranho. Fique analisando por um tempo e percebi que era um triângulo dentro de um circulo e dentro desse triângulo tinha um olho. Sinistro.

— Alguém assim, tipo eu?

Ela assentiu e abriu um sorriso que apesar da queimadura era lindo.

— Alguém que pudesse me ouvir, ver e sentir.

Sentir? O que ela estava pretendendo? Um sexo fantasmagórico?

Sacudi a cabeça ao pensar nisso.

— Não isso que você está pensando.

Caralho! Ela pode ler minha mente.

— Tecnicamente sim. Antes de eu… — ela hesitou, mas concluiu — morrer. Eu era diferente.

Mordi o lábio inferior.

— Diferente, tipo, com poderes?

Ela esboçou um rápido sorriso.

— Isso.

Cocei a cabeça.

— Foi por isso que… —Parei.

— Não. Eu não sou uma bruxa e não fui queimada na fogueira.

O ar ficou preso na minha garganta.

— Antes de você morar aqui, outras pessoas já moraram, mas nenhuma delas abriu a porta pra mim. Eu preciso descansar em paz. Minha missão já foi finalizada.

Nada disse.

— A única coisa que quero — disse com a voz fraca, distante como o vento — é que você ache o meu colar.

— Qual colar? Sussurrei.

— O colar da minha linhagem.

— Linhagem? Então você quer dizer que existem mais iguais a você?

Eu balancei minha cabeça e senti como se estivesse me afastando.

— Por favor, resista, não vá agora.

A cada segundo me sentia distante dela até que acordei.

(Para ler o capítulo 4, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.
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