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Relançamento de “A Arma Escarlate”

O livro “A Arma Escarlate” da autora Renata Ventura foi tão procurando e fez um sucesso tão grande que será relançado. Sim! Com um capa muito, muito linda (que eu particularmente prefiro). Confiram! 

O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo.
Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que ameaça sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.

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E quem disse que os brasileiros não tem sangue mágico?

Em uma entrevista um fã perguntou à J. K. Rowling o que ela achava sobre outras escolas de magia, em outros países. E ela, muito simpática, respondeu ao rapaz que achava ótimo e que também seria muito bom se outra pessoa escrevesse tal história. Tomando este conselho para si Renata Ventura, fã assídua da saga Harry Potter, decidiu situar uma escola de magia e bruxaria aqui, no Brasil. Para ser mais exato, Renata criou cinco escolas, sendo que neste livro apenas aparecerá a do Rio de Janeiro.

Renata é fluminense, nascida em 1985, e trabalhou durante três anos fazendo pesquisas e roteiros para cinema documentário, antes de se dedicar exclusivamente ao seu primeiro livro. Uma coisa que eu achei inovadora e muito legal, foi o meio de interação que ela criou entre seu público e ela mesma: Através das redes sociais, a autora criou perfis para seus personagens, perfis estes que servem tanto para conversar um pouco com seu personagem preferido, sentir-se parte ativa de seu universo, como para tentar extrair alguma informação privilegiada dos livros seguintes. (Coisa que eu já fiz. haha’).

“A Arma Escarlate” nos leva a conhecer Hugo, um garoto pobre que vive na favela Santa Marta, e que está em meio à iminente ameaça dos traficantes e bandidos. No ápice de uma situação insustentável, nosso protagonista descobre que é bruxo e com toda a sorte a seu favor o garoto entra na escola de magia e bruxaria Nossa Srª do Korkovado. Claro que não teremos apenas Hugo como “protagonista” teremos também Gislane, uma bruxinha pra lá de inteligente que segue todas as regras (Vixe, isso ficou parecendo descrição de personagem de filme da Sessão da Tarde). Na escola do Rio de Janeiro, temos uma batalha de grupos: Pixeis e os Anjos. Ou seja, nada de “quatro casas”.

O livro é realmente muito bem escrito. A narrativa discorre de modo completamente fluido e você mal consegue perceber o avanço das páginas, e quando percebe, se surpreende com a quantidade de páginas passadas.  O enredo e os personagens também são muito bem estruturados e construídos; é como se a qualquer momento os personagens pudessem sair das páginas do livro e começar a interagir com você. Talvez eu tenha sentido isso porque a história se passa no Brasil e parece que tudo está “a um palmo de você”. 

Porém, não foi apenas isso que me chamou atenção em “A Arma Escarlate”, o livro transcende as fronteiras da fantasia, e faz um link perfeito com a realidade. A escola do Rio de Janeiro é um completo inferno, existe o descaso, a falta de professores, a bagunça por parte de alguns alunos, desinteresse por parte de outros e tudo isso reflete exatamente a realidade brasileira. A realidade das escolas públicas, que estão afundando a cada dia mais. Renata foi muito feliz em suas críticas sociais e não apenas nisso. Eu, que já tinha um contato com a autora antes do livro, pude perceber seus traços inconfundíveis, como por exemplo, a tentativa de divulgação do Esperanto, uma espécie de língua franca internacional, que pode simplificar em muito a compreensão entre estrangeiros.

Confesso que no início do livro fiquei um pouco irritado com relação às diferenças para com “Harry Potter”, sobre não ter quatro casas e ter cinco escolas de magia. Mas eu imagino, imagino não, tenho certeza que este é o diferencial de “A Arma Escarlate”, Renata conseguiu criar um novo universo por cima de outro. Ela conseguiu, com maestria, “adaptar” a história da Tia Jo para o Brasil. Tanto no que diz respeito a contexto, como a conteúdo mesmo. Por exemplo, os feitiços. Esqueçam os feitiços em suas versões latinas. Eles não funcionam aqui; no Brasil temos feitiços em tupi (êta patriotismo) e os únicos feitiços que funcionam em todos os lugares do mundo são os que são feitos em esperanto (por que será, hein!?).

Enfim… Eu realmente recomendo muito a leitura de “A Arma Escarlate”, e olha que eu sou meio preconceituoso com relação à literatura nacional, mas esse livro é realmente do caralho (me desculpem a expressão, quem se ofendeu) e eu quero muito que Renata seja reconhecida. Seu trabalho não merece ficar “na gaveta”, o mundo todo precisa saber dele!

Sinopse:

“O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.”

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Recomendo muito mesmo! Vale a pena cada centavo! Uma ótima leitura para vocês!

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