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A Menina do Casarão – Capítulo 5

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Pode me contar a história — estamos sentados à mesa.

Júnior ainda estava meio tímido por causa de meu pai.

— Meninos, vou almoçar em meu quarto.

Sorri para meu velho que correspondeu com a cabeça.

— Eu moro aqui desde pequeno e sempre ouvi comentários sobre os Vandeburg.

Tomei um gole do refrigerante.

— Que tipos de comentários?

— Que eles eram diferentes.

Comi mais uma garfada de macarrão.

— Eles tinham poderes.

Júnior assentiu enquanto tomava um gole de suco de uva.

— O pai das meninas não aceitava que elas usassem seus “poderes” dentro de casa. Ele sempre chamava as filhas de aberrações, filhas do demônio e coisas do tipo.

— E a mãe delas? Perguntei curioso.

— Ela não se envolvia naquilo. O marido também a recriminava.

— Mas ele não sabia que ela era diferente quando a conheceu? Eu estava apreensivo.

— Não. Ela escondia de todos. Segundo os mais velhos da cidade, ela tinha fugido de um vilarejo no qual foi descoberto sobre sua família. — ele tomou mais um gole de suco e continuou — Então eles se conheceram e tiveram três filhas. Mas a infância deles não foi lá essas coisas. Elas faziam coisas acontecerem. Tipo o copo quebrar enquanto o pai bebia água. Elas não podiam se estressar que as lâmpadas da casa estouravam.

— E o colar? Minha voz estava estranha; trêmula.

— O colar é o amuleto da família Vandeburg. Está na família a gerações e o pai descobriu que afastando o colar das meninas seus poderes enfraqueciam. E ele teve a péssima idéia de tocar fogo no colar.

— A casa pegou fogo. Sussurrei como se estivesse comentando algum erro ao dizer aquilo.

 — Exatamente.

Júnior estava com a faca e o garfo na mão. Segurando os dois fortemente.

—Wesley.

Eu me assustei, sem fôlego.

— Você ouviu?

Júnior assentiu.

As janelas do casarão se fecharam produzindo um barulho ensurdecedor. Só pensei em meu velho. O que ele iria dizer daquilo?

Uma névoa pairou na cozinha formando uma imagem. Era ela… Margaret.

— Preciso que vocês encontrem o colar. Meu tempo está esgotando.

— Que tempo? Margaret se virou para mim e suspirou.

— Hoje é dia dos mortos. E nossa linhagem não pode ficar muito tempo afastada do colar. Temos um prazo. Eles estão me cobrando.

— Mas por que você? Uma ventania surgiu.

— Quando o colar foi destruído junto comigo, eu fiquei ligada a ele totalmente. Toda a minha linhagem perdeu seus poderes e é preciso que eles retornem para mim, assim poderei me desfazer dele e descansar em paz.

— Para onde foi que seu pai levou o colar antes de tocar fogo?

Isso estava me dando arrepios.

— No quintal. Por favor, encontrem e levem para meu túmulo antes da meia-noite, ou caso contrário. — Ela era um fantasma mais eu vi lágrimas escorrerem de seus olhos — minha linhagem será exterminada para sempre. Todos irão virar pó.

A sua imagem se dissipou e tudo voltou ao normal. Corri atrás de Júnior que estava no quintal à procura do colar.

— Precisamos achar marcas de fogo.

As horas passaram como se fossem nossa inimiga e o tempo se revoltou contra nós dois. Uma tempestade estava caindo lá fora e já era quase dez da noite.

— Temos menos de duas horas.

— E se não conseguirmos?

Silêncio.

— Árvores.

— O que? Júnior estava sem entender.

— Se a casa pegou fogo e começou do quintal, certamente foi próximo a uma árvore.

Voltamos para o quintal debaixo de chuva e cavamos buracos e mais buracos ao redor da única árvore. Como fomos burro. Só podia estar lá. Um pingo de esperança.  Eu nunca tinha me envolvido totalmente em algo. E não sabia o motivo de estar envolvido nisso. A pá bateu em algo duro. Chamei Júnior que se aproximou. Estávamos ensopados. Cavamos mais um pouco e lá estava. O colar da família Vandeburg.

Corremos para a rua, a tempestade estava pior. Júnior pegou a chave de sua Kawa EP-6n 2012 e partimos em direção ao cemitério.

As pistas estavam escorregadias e Júnior estava a 70 km/h. Entramos em uma rua esburacada, quase caímos em um dos buracos. Tudo estava contra nós, mas não tínhamos tempo, faltava apenas meia hora. A linhagem de Margaret dependia de nós.  Júnior pisou no freio e giramos na escuridão. Por um momento eu senti que estávamos voando, mas não, ainda estávamos na moto. Os faróis; algo apareceu no meio da rua. Júnior desviou e aumentou a velocidade. Olhei para trás, mas não havia ninguém. 10 minutos. Eu já podia enxergar o cemitério de longe. Ele ficava no alto da colina. Só tínhamos que subir uma rua e chegaríamos.

— Pronto para a maior aventura de sua vida?

—Espero ser a maior e única. — Eu não falava, gritava por causa do vento.

Júnior aumentou a velocidade e subimos a rua em alta velocidade, a 90 km/h. Meu coração estava a mil. Eu gosto de viver a vida perigosamente. Na verdade, todos nós gostamos, mas poucos têm coragem. Por um momento senti vontade de abrir os braços, mas se eu fizesse isso, poderia despencar da moto. Então a única opção foi gritar. 7 minutos.

Chegamos ao cemitério e encontramos mais um obstáculo. O portão estava fechado.

— Vamos ter que pular. — disse.

— Ora, cara, vamos nessa.

Subimos os portões e pulamos. Corremos em direção ao Túmulo de Margaret. Nossa sorte é que os túmulos são organizados em ordem alfabética. 4 minutos. Lá estava o túmulo dela. Empurramos a  pedra de mármore. Na verdade, tentamos, pois a pedra não saiu do lugar.

Voltamos a  empurrar a pedra. Depois do que pareceu uma eternidade, a pedra se moveu. Só mais um pouco de força, só mais um pouco. Empurramos, empurramos e empurramos. 2 minutos. A pedra se moveu por completo. Abrimos o túmulo de Margaret, um cheiro insuportável saiu de dentro. Coloquei o rosto enquanto apertava o nariz com os dedos para não sentir o fedor. Lá estava ela, da mesma forma em que a vi da primeira vez. Com metade do rosto queimado. Então percebi que parte do colar também estava amassado. Sua ligação com ele era tão forte que tudo que o colar sentiu, ela também sentiu.

— Wesley. — olhei. Pela primeira vez Júnior me chamou pelo meu próprio nome.

— Coloque o colar.

50 segundos.

Me estiquei mais um pouco e quase caí dentro do túmulo. Coloquei o colar no pescoço de Margaret e empurramos a pedra para seu lugar.  A chuva tinha piorado e estava relampejando.

5 segundos.

4 segundos.

3 segundos.

2 segundos.

1 segundo.

Meia-Noite.

FIM!

POR: DIEGO SOUSA.
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A Menina do Casarão – Capítulo 4

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

— Wesley, acorda.

Senti meu pai me balançando. A luz do sol estava afetando meus olhos.

— Você está bem? — Ele via a preocupação em meus olhos.

— Estou. Menti.

— Você estava gemendo e suando frio.

Sentei na cama enrolado na coberta.

— Foi só um pesadelo de nada. Já passou.

Obviamente, alguma coisa estava acontecendo.

— Preciso de sua ajuda com umas caixas lá embaixo no porão, mas é melhor eu terminar sozinho.

Essa era a chance de eu conseguir o colar e me livrar daquele fantasma.

— Já vou descer. Só vou escovar os dentes.

Meu velho saiu e corri para o banheiro. Enquanto escovava os dentes pensei em tudo que tinha acontecido. Puta merda, parecia tão real. Minha mente tentava processar tudo, mas como eu encontraria um colar que não tinha descrições dos detalhes? Ouvi o som de buzina. Quem seria?

Desci as escadas correndo e meu pai já estava na porta.

— Aqui está ele.

Com quem meu pai falava? Não demorou muito para reconhecer a voz.

Aproximei da porta e tive certeza.

— Ei cara, você está bem?

Sem reação só consegui dizer:

— Como você achou minha casa?

Ele sorriu e entrou.

— As notícias aqui correm e eu não moro muito longe. Logo soube que era você o maluco que veio morar nesse casarão.

— Do que você está falando? Senti meus pelos eriçarem.

— Não acredito que você não sabe da história dessa casa?

Lembrei que Margaret queria me contar algo, mas foi interrompida por causa de meu pai. Será que era a história da casa? Eu balancei minha cabeça.

— Pior que não. Mas, cara, antes de tudo. O que aconteceu ontem na festa?
Ele respirou e eu pude ouvir.

— Nada demais. Apenas bebemos. Depois eu trouxe você para casa. Esse é um dos motivos pelo qual sei onde você mora.

Ele parecia sincero.

— Você me drogou?

Ele riu.

— Qual é cara, eu jamais faria isso contigo.

Assenti.

— Desculpa, é que acordei com essa marca.

Mostrei a marca, ele analisou, mas nada disse.

—E então… — disse,  sentindo meu estômago revirando.

— Cara, as coisas estão mais além do que eu esperava.

— Do que você está falando?

Nada estava fazendo sentindo.

Antes que ele pudesse falar. Contei sobre o colar e sobre Margaret. Ele apenas concordava ou dizia “hurum”, como se já soubesse de tudo.

— Vamos lá ao porão. Meu velho precisa de uma mãozinha.

— Agora tem duas.

Ele me deu uns tapinhas nas costas e descemos as escadas.

Essa era a primeira vez que tinha ido ao porão da mansão. O lugar estava com um cheiro de queimado, mofo e sujeira. Tudo misturado. Caixas e mais caixas estavam jogadas ao chão. Roupas velhas, quadros. Perguntei-me como meu velho estava conseguindo respirar ali.

— Meu velho, trouxe uma mão extra.

Ele olhou para Júnior e voltou a organizar as pilhas de caixa.

— Ajuda é sempre bem vinda.

Assenti para Júnior e ele me seguiu. Começamos a remexer nas caixas que estavam no chão. Baratas, ratos, lagartixas, aranhas já tinham feito seus ninhos. Era difícil colocar a mão dentro da caixa e não sentir um ratinho passeando. Agradeço a Deus por não ser uma menina.

Perdemos a noção do tempo e não encontramos.

Júnior olhou para seu pulso e se assustou.

— Nossa, cara. Está na hora do almoço. Tenho que ir embora.

— Almoce com a gente hoje.

Senti que ele ficou receoso.

— Relaxa, cara, meu velho é assim, mas é gente boa.

Ele sorriu constrangido e voltamos para sala.

(Para ler o capítulo 5, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.

A Menina do Casarão – Capítulo 3

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

Acordei ofegante e suando frio — uma queda brusca, uma sensação estranha que se estendia por todo meu corpo. Estava tremendo. Apesar de estar suando, o frio da noite é intenso. Puxo as cobertas e cubro meus ombros, sentindo meu coração batendo rapidamente. A janela estava aberta. Por que minha janela estava aberta? Minha cabeça estava latejando. Preciso de um copo d’água. Levantei um pouco tonto, caminhei e acendi a luz. Será que foi efeito de toda bebida? Acho que não. Eu cheguei em casa lúcido e puto da vida por não ter conseguido ficar com Fernanda. Mas esse momento não é adequado para falar disso. Olho-me no espelho e noto um hematoma no pescoço. Não foi efeito da festa de forma alguma. Voltei para cama e sentei. O sonho foi reaparecendo em minha cabeça.

Eu não consegui ver seu rosto, apenas ouvi a sua voz sussurrando algo que não consegui decifrar. Seriam fantasmas? Não. De forma alguma. Eu não leio para ficar com a imaginação tão fértil a ponto de imaginar que fantasmas estavam tentando me avisar alguma coisa. Mas essa marca no meu pescoço é completamente louca. Quando chegar na aula vou perguntar a Júnior o que realmente aconteceu. Será que ele me drogou? Puta merda. Será que ele estava afim de mim, me drogou e… Não, nunca. Ele parece ser um cara tão gente boa. Não faria uma coisa dessas e se fizesse, eu acabaria com a raça dele. Ah, se acabaria. Talvez fosse algum mosquito que picou, ou cocei a noite. São tantas suposições.

— Wesley — Meu velho pergunta enquanto abre a porta do quarto. — Que diabo está fazendo acordado há essa hora?

Eu olho para meu relógio digital que marca 04h55min.

 — Um sonho estranho — eu digo, tentando parecer normal. E porque não estava normal? Desde quando eu me importava com um simples sonho incomum.

Ele entra e encosta a porta.

— Isso que dar chegar tarde e beber no seu primeiro dia de aula.

Bufei.

Se fosse assim, todas as vezes que eu chegava em casa travado da casa de Douglas eu deveria ter sonhos estranhos, mas não tinha.

— Acho que não.

Ele sentou ao meu lado na cama, olhei para ele, seus olhos castanhos escuros estavam cheio de preocupação. Sua fisionomia cansada e abatida.

— Você deveria estar descansando.

— Não estou com sono. Ele me fitava e eu estava ficando completamente sem graça. Meu pai era a única pessoa, depois de minha mãe que me deixava completamente sem graça.

— Te digo o mesmo.

Ele apertou os olhos.

— Moleque se orienta.

Abaixo a cabeça de vergonha.

— Desculpa.

Ele levanta da cama.

— Trate de descansar que amanhã você vai me ajudar a organizar toda essa bagunça.

Revirei os olhos.

— E a escola?

— Hoje é feriado.

Estava confuso.

— Feriado? De quê?

— Dia dos mortos.

Engoli a saliva e senti meu corpo tremer. Meu pai saiu do quarto e voltei a dormir, pelo menos tentei. Fiquei olhando para o teto velho do quarto. A única forma de pegar no sono é contando carneiros.

Ouvi uma batida forte na porta do meu quarto. Levantei assustado.

— Pai? Meu velho?

Levantei da cama. Notei que não estava mais tonto. Fui até a porta e abri, não tinha ninguém. Engoli a saliva. Voltei para cama e notei que a janela estava aberta. Fechei e me joguei na cama. Coloquei os braços atrás da cabeça e uma perna em cima da coxa. Fiquei pensando e pensando até ouvir uma voz.

— Wesley

A voz era serena.

Eu sentei em minha cama.

— Quem é?

— Margaret

O que há de errado comigo?

— Que diabos é Margaret?

Silêncio. Um longo silêncio.

Aquele silêncio me irritou. Dei um longo suspiro, me levantei e me encaminhei até a porta. Ela estava trancada, mas nesse instante estava aberta. Parecia loucura.

— Podemos conversar? Perguntou a voz.

Frio na barriga. Como vou conversar com alguém que não vejo?

— Conversar o quê?

Senti a brisa da noite em meu rosto. Arrepiei.

A luz da lua era a única coisa que iluminava o quarto.

— Não tenha medo e não se assuste.

Após suas palavras, eu vi algo aparecendo no canto do quarto. A imagem de uma menina. De início fiquei um pouco receoso. Mas, logo quando notei, fiquei calmo.

— Você é um fantasma?

— Não, tecnicamente.

— Como assim? Minha mente estava um pouco lenta.

— Estou morta e preciso do descanso eterno.

— Mas… — minha voz falhou — você deveria estar descansando.

Ela apareceu na luz. Senti um choque no meu corpo após ver aquela imagem deprimente. Ela tinha o cabelo louro com mechas rosa nas pontas, algumas tranças em parte do cabelo, mas isso não era o pior. Seu rosto. Senti algo embrulhar em meu estômago. E não estou de “frescura”. Seus pálidos olhos verdes e um sorriso na boca que apesar de deformada encantaria qualquer menino, não, menino não, fantasma. Ela possivelmente deveria ter minha idade, talvez dezessete ou dezoito no máximo, com uns centímetros a mais que eu. Ela dava um passo e parava até que eu pude ver por completo o seu rosto. Parte dele estava completamente queimado. O pior tipo de queimadura que eu já vi. A parte queimada estava funda, como se algo tivesse caído. Um pedaço de pau em chamas, ou sabe-se lá o quê. Pensei em perguntar, mas não queria constrangê-la. Fantasmas ficam constrangidos? Perguntei-me.

— Estou há tempos esperando por alguém que abrisse a porta pra mim.

Vestida com um camisão branco que tinha um desenho estranho. Fique analisando por um tempo e percebi que era um triângulo dentro de um circulo e dentro desse triângulo tinha um olho. Sinistro.

— Alguém assim, tipo eu?

Ela assentiu e abriu um sorriso que apesar da queimadura era lindo.

— Alguém que pudesse me ouvir, ver e sentir.

Sentir? O que ela estava pretendendo? Um sexo fantasmagórico?

Sacudi a cabeça ao pensar nisso.

— Não isso que você está pensando.

Caralho! Ela pode ler minha mente.

— Tecnicamente sim. Antes de eu… — ela hesitou, mas concluiu — morrer. Eu era diferente.

Mordi o lábio inferior.

— Diferente, tipo, com poderes?

Ela esboçou um rápido sorriso.

— Isso.

Cocei a cabeça.

— Foi por isso que… —Parei.

— Não. Eu não sou uma bruxa e não fui queimada na fogueira.

O ar ficou preso na minha garganta.

— Antes de você morar aqui, outras pessoas já moraram, mas nenhuma delas abriu a porta pra mim. Eu preciso descansar em paz. Minha missão já foi finalizada.

Nada disse.

— A única coisa que quero — disse com a voz fraca, distante como o vento — é que você ache o meu colar.

— Qual colar? Sussurrei.

— O colar da minha linhagem.

— Linhagem? Então você quer dizer que existem mais iguais a você?

Eu balancei minha cabeça e senti como se estivesse me afastando.

— Por favor, resista, não vá agora.

A cada segundo me sentia distante dela até que acordei.

(Para ler o capítulo 4, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.

A Menina do Casarão – Capítulo 2

(Para ler o capítulo 1, clique aqui.).

Depois de esperar quase 1 hora no ponto, pegar um ônibus errado e esperar mais trinta minutos pelo certo, finalmente cheguei à bendita escola. Todo sacrifico é valido, quando se tem um objetivo.

Decepcionei-me com a escola. Tem aparência de internato para delinquentes juvenis. Mas não vou julgar o livro pela capa. Não é assim o ditado? No momento em que vi aqueles caras chegando em seus carros me subiu uma raiva de matar. Porque meu pai é assim? O que custava me deixar usar seu carro? Eu não sou um delinquente.

Entrei na escola e tive um choque. Puta merda. Parece um palácio. É como eu disse: não julgue o livro pela capa. A escola tinha aproximadamente 7 andares. Como era possível? Do lado de fora parecia ser no máximo três. Algo está completamente errado. Mas isso não importa. O que realmente importa é que não é uma escola para delinquentes. Não vou negar que fiquei parecendo um turista no meio do “pátio” enquanto a galera ia e vinha.

— Seja bem vindo. — me assustei e virei rapidamente.

Era um trio. Uma gata e dois caras. Puta merda, a gata é realmente gata. Ela estava usando uma saia jeans de um palmo, salto alto e uma blusa que pouco importava. Ela deu um passo e sorriu.

— Seja bem vindo. Sou a Fernanda.

Sorri educadamente e estendi a mão. Segurei firme em sua mão delicada e quente. Cumprimentei-a dando dois beijos em suas bochechas. Na real, o que eu queria mesmo era agarrar ela e dar um beijo que ela nunca mais esqueceria.

— Esse é o Lucas — disse apontando para o cara moreno alto que assentiu — e esse é o Júnior.

O outro cara parecia ser divertido, diferente de Lucas que parece ser mais responsável e chato. Júnior era um pouco maior que eu. Com o corte de cabelo repicado.

— Como você — me corrigi — vocês, sabiam que eu sou novo aqui?

Júnior sorriu.

— Sua cara de surpreso ao entrar aqui é a mesma que todos fazem. Ninguém acredita no tamanho da escola.

 — Verdade. — novamente sendo monossilábico.

— Qual seu ano? Perguntou o grandalhão.

— Terceiro.

Júnior se aproximou de mim, colocou seu braço em meus ombros e saiu andando como se já nos conhecêssemos há dias.

— Você é da nossa turma cara, não acredito.

— Calma Júnior, não vai assustar o menino.

Menino?  Quantos anos o grandalhão acha que tenho Doze? Saímos caminhando pela escola.

Depois do tour pela escola, eu realmente percebi o quão grande ela é. Fernanda me apresentou algumas amigas, que por sinal, são lindas. Senti-me no paraíso. A última aula finalmente terminou e saí na frente antes da turma.

— Ei cara, espera.

Olhei para trás e vi Júnior correndo em minha direção. Parei e fiquei esperando. Ele chegou ofegante como se tivesse corrido em uma maratona.

— Está precisando fazer uns exercícios.

Ele assentiu.

— Sou sedentário.

— Então, o que houve?

Ele esperou o barulho dos alunos que estavam indo embora passarem e então disse:

— Vai ter uma festa algumas ruas daqui. Está afim?

Era tudo que eu queria naquele momento. Mas tinha dois obstáculos. O primeiro é que meu velho iria ficar preocupado. E o segundo é que estou sem carro. Mas é claro que eu não disse nada disso.

— Putz, eu bem que queria, mas, sou novo aqui, conheço nada.

Ele deu uma tapa em minha cabeça.

— Acorda mano. Você vai está comigo.

Fiquei receoso, mas perguntei.

— Fernanda vai?

Ele riu e falou tão baixo que parecia um sussurro.

— Você está a fim de dar uns pegas nela, não é?

Não queria sorrir. Um sorriso confirma tudo em momentos que você não quer afirmar nada.

— Bom… — ele deu uns passos, colocou a mão em minhas costas e saiu caminhando. Eu estava acompanhandoo. — Eu posso ser o padrinho. Me entende?

Ele estava começando a falar minha língua.

— Estou sem carro.

— Estou de moto.

Assenti e o segui.

Sua moto estava atrás da escola em uma rua deserta. Caralho. Eu não quis mostrar meu espanto. A moto dele é a Kawa EP-6n 2012. Ele ligou a moto e fez sinal, corri e sentei na garupa. Estou começando a gostar desse lugar. Partimos com destino à festa.

(Para ler o capítulo 3, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.

A Menina do Casarão

SINOPSE: Após a perda de sua mãe, Wesley e seu pai mudam-se para um novo bairro. Tudo parece normal em seu primeiro dia, até que sonhos estranhos o incomodam. Uma menina aparece para ele pedindo sua ajuda. Irá Wesley ajudar uma desconhecida? 

Capítulo I

O novo sempre causa medo. Era isso que minha mãe diria se estivesse aqui conosco, mas isso não é possível, não porque ela viajou, ou me abandonou desde criança, pelo contrário, minha mãe nunca me abandonaria. Ela está morta. Hoje está fazendo um ano e para “comemorar” meu pai resolveu realizar o seu  próprio desejo. Se mudar para um casarão. Você deve está se perguntando qual tipo de marido faria comemoração da morte da esposa, pois é, esse é meu pai, o Honório. Ele tem uma forma estranha de demonstrar seus sentimentos, mas não o culpo, ele sempre foi apegado à minha mãe, na verdade é. E deve ser difícil perder quem amamos. 

— Wesley, me ajude aqui. — Ouço meu pai chamando e saio do banheiro para saber do que se trata.

Meu pai está na sala segurando duas caixas cheias de bugigangas.  Ele sorri com os olhos ao me ver e faz sinal com a cabeça para que o acompanhe. Corro e pego uma das caixas. Meu pai não está tão velho quanto sua aparência mostra, seu rosto está mais magro do que o normal, sua barba enorme por fazer e seu cheiro de cigarro contamina qualquer lugar em que ele esteja. 

— Está cheiroso, hein garoto. — Ele sorri e continua subindo as escadas da casa.

A casa não é muito velha por dentro quanto aparenta por fora. Inicialmente eu fiz “charme” — como as garotas dizem — para que a gente não se mudasse, mas de nada adiantou. Ele já queria morar em um casarão desde quando minha mãe era viva, mas como ela tinha a palavra final dentro de casa, meu pai sempre concordava em ficar, mesmo resmungando quando ela virava as costas. Me pego sorrindo com as lembranças.

— Está rindo do quê? — Ele me olha estranho. Com certeza deve achar que estou ficando maluco.

— Nada demais. Só lembranças.

— Da sua mãe? — Sua voz sai baixa.

Ele coloca a caixa na porta de um dos quartos e abre a porta.

Essa casa é cheia de quartos no andar de cima, o que para mim é ótimo. Quando viemos conhecer o casarão e descobri os milhares de quartos que a casa tinha, liguei de imediato para Douglas informando que em breve teríamos uma festa. 

— Também. — tento ser o mais monossilábico possível.

Entro no quarto que possivelmente será o dele. O sol entra pelas duas janelas imensas. O ambiente está muito sujo e repleto de teias de aranhas.

— Há quanto tempo esse lugar não vê uma vassoura?

Ele sorri quase dando uma gargalhada.

É muito bom ver meu velho dessa forma.

— Não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza, você vai me ajudar a dar um jeito nessa bagunça.

Suspiro. Sabia que iria sobrar pra mim.

— Não venha que não tem. Daqui a pouco estou indo para escola. Não posso ficar sem estudar. Isso é muito importante para meu futuro.

Ele abre uma das janelas e sinto o calor do sol em meu rosto. O dia está esplêndido e de verdade não posso perder meu primeiro dia de aula. Não que eu ligue para essas frescuras. Aulas são sempre aulas, tanto do primeiro  quanto do último dia. E meu pai sabe o motivo de eu querer ir logo para escola. 

— Você quer estudar ou conhecer as gatinhas?

Eu não disse? Esse é meu pai. Tive a quem puxar. O velho garanhão da Petrik, sua cidade natal. 

— Ah… Você realmente me conhece.

Ele abre os braços, eu não queria abraçá-lo. Ficarei com um cheiro miserável de cigarro. Bem… Tem garotas que gostam de caras que fumam. Aproximo-me rapidamente dele e o abraço. Seu cheiro é insuportável. Ele bagunça meu cabeço, fico irritado e me afasto.

— Fala sério, meu velho. Você bagunçou todo meu cabelo.

Balanço a cabeça indignado enquanto tento ajeitar meu cabelo.

— Esse cabelo de mariquinha.

Me seguro para não dizer algo indevido. Não estou com meus amigos.

—  É ai que você se engana. — Falo enquanto termino de ajeitar  o cabelo. — Aqui é o corte César, referindo-se ao estilo do imperador romano. 

— Mariquinha. — ele solta uma gargalhada alta — Mas ainda assim é meu filho.
Ele me segura pelo rosto e olha em meus olhos.

— Seus olhos — sinto sua voz falhar — me lembram muito a sua mãe.
Fecho os olhos e abro novamente.

— Não, não parece — tento não envolver minha mãe no assunto — meus olhos são idênticos ao de minha avó Judith. Eles são violeta.

Minha mãe sempre dizia que meus olhos eram uma mistura que deixava um tom de violeta. Quando eu tinha aproximadamente seis anos, lembro que ela pensou que eu era um tipo de aberração. Mas ai minha avó explicou todo processo de pigmento melanina e blá, blá, blá. Aquele assunto de escola. E por incrível que pareça minha avó também tem os olhos violeta. 

“Há muitas variações de azuis e cinzas, com outras nuances entre elas. Violeta pode ter sido a pigmentação típica dela”, disse o oftalmologista pé no saco à primeira vez que apareci por lá.

Porém minha avó disse a ele que tudo não passava de palavras, pois, nós dois tínhamos os olhos iguais aos da… É… Elizabeth Taylor.

Me afastei de meu pai e ajeitei o cinto da calça. Ele me deu as costas enquanto arrumava alguns objetos espalhados no canto do quarto.

— Pai — ele se virou abruptamente — preciso ir. Estou atrasado. 

O que eu realmente queria dizer era: Pai estou indo, me empresta o carro?  

Ele me estudou por um minuto que pareceu uma eternidade, mexeu no bolso. Uma esperança cresceu dentro de mim, mas ele tirou dinheiro e me passou.

— Essa semana você vai de ônibus. Não quero você se exibindo por ai, além do mais, você não conhece essa vizinhança.

Peguei o dinheiro.

— Vizinhança essa que você fez tanta questão de morar.

Ele levantou a mão e saí correndo. Desci as escadas, me olhei no espelho. Estou um gato. Corrigi olhando para meu reflexo. Eu sou um gato. Fui até a sala, peguei minha mochila no sofá, coloquei o dinheiro no bolso e saí para escola.

(Para ler o capítulo 2, clique aqui.).

POR: DIEGO SOUSA.

Alice Cullen

Alice Cullen é a mais bela vampira da Saga. Ela é a mais doce, meiga, cativa, sensível, culta, refinada, amorosa, amiga, otimista, alegre, de bem com a vida, enfim… TUDO! É a minha personagem predileta da saga.

Alice tem o poder de prever o futuro dos humanos e dos vampiros, ela previu que iria encontrar Jasper seu escravo sexual  parceiro e que iria se tornar amiga de Bella para Alice foi uma das maiores decepções, porque se tornar amiga de Mondronga… . Alice recebeu otimamente Bella na Casa de Putaria dos Cullen Casa dos Cullen e a tratou como se fosse da família. Alice e Jasper foram os responsáveis por tomarem conta de Bella para que ela não fossecomida morta por James O Gostoso Taradex.

Quando a Fadinha Brilhosa, decidiu sair de Forks levou Alice e toda a sua família consigo. Nessa deixa, A Mais Bela de Twilight aproveitou para investigar mais sobre sua vida pessoal e descobriu que: Ela tinha sido internada em um sanatório sim, mais uma louca para nossa coleção, que tinha sido uma ex-vítima do Gostoso Taradex que tinha sido mais uma tentativa falha de estupro, de James e que tinha uma irmã que havia morrido. Porém, ela teve uma visão da Mondronga Bella estar se jogando de um penhasco e foi imediatamente para Forks; Chegando lá, descobriu que o Depisomem havia salvo Bella. Então, as duas partiram para Volterra para impedirem a Fadinha de se matar PORRA! DEVIAM TER DEIXADO ELA SE MATAR, CARALHO! 

                             

… Edward dá para Alice um Porsche Amarelo Turbo (ela estava querendo há séculos!) para que ela vigiasse Bella, para Bella não ver Jacob para Depisomem não ir lá dar um trato na vampira de Bella (se é que vocês me entendem). Alice faz uma grande festa de formatura para Mondronga. E também implora para organizar a festa de casamento entre Mondronga e Fadinha, o que acaba ocorrendo.

A Mais Bela organiza uma grande festa de casamento e põe Mondronga em um vestido de época. Durante a gravidez de Bella, Alice, não pode ficar perto da amiga pois o feto a enfraquece. Quando está prestes a ocorrer o Puteiro Final dos Volturi, Alice e Jasper saem e vão procurar outra criança híbrida. Eles encontram, e todos vivem FELIZES PARA SEMPRE! Só podia ser livro de Stephenie Meyer mesmo…

As Duas Faces do Amor

Em uma pequena cidade do Canadá chamada Stanford, havia uma garota que era considerada a menina mais bela que qualquer olho humano já vira. Pele clara, tão clara que poderia ser confundida com um diamante; olhos verdes reluzentes, como a cor clara do mar da pequena cidade e longos e encaracolados cabelos de uma cor mais clara que castanho.

Essa garota se chamava Mellany, Mel para os mais íntimos. Mel estava completando seus quinze anos neste dia, ela realizaria o sonho de qualquer garota nessa idade, teria o melhor Baile de Debutantes que alguém já sonhara em ter.

Estava tudo planejado e a garota estava mais que animada quando ouviu o chamado do pai indicando que em duas horas tudo estaria pronto.

Assim foi feito, cinco minutos antes das sete da noite, desceu pela grande escada uma garota magnífica, sobre seu vestido branco de cetim e sapatos cor de creme de salto fino. Os cabelos estavam presos em um coque bem feito, o rosto era coberto por uma fina maquiagem e nas unhas, um esmalte leve na cor rosa bebê.

Os olhares de todos na festa curvaram-se diante da linda menina. Os rapazes a olhavam com paixão e as moças com inveja. Mellany adorava aquilo. Adorava ser sempre o centro das atenções dos olhos de quem a vê. Adorava ouvir os cochichos de gente que estava sempre admirando a sua beleza.

Mel sonhava com um futuro magnífico: glamour, revistas e fama. Eram os únicos lugares onde ela via que a sua beleza podia ser realmente aproveitada. Nunca havia tido um namorado, era sempre exigente demais. Achava que todos os rapazes da sua cidadezinha não eram dignos de pertencerem ao seu coração. Dizia-se superior demais aos rapazes solteiros, mas ela era honesta e compreensiva demais para querer tomar os rapazes mais belos e comprometidos de suas mulheres.

Dito e feito, a festa fora a melhor que já houvera em muitos em Stanford. Todos comentavam da comida, da decoração e é claro, da própria debutante.

Havia chegado à hora que todos mais aguardavam a hora que Mellany escolheria seu primeiro e único namorado. Já que, na sua tradição, na tradição da cidade, quando moça completava quinze anos, ela deveria escolher um noivo na noite em que ela debutava.

A garota rodeou todo o salão à procura de alguém, mas nunca se achava satisfeita. Até que um garoto apareceu, parecia ser muito pobre, já que suas roupas não eram nem tão chiques e nem tão adequadas, quando comparadas às roupas dos outros homens daquela festa. Os cabelos do menino eram bagunçados e ele portava uma bandeja na mão, o que indicava que ele era um dos garçons daquela imensa festa.

–– Permita-me escolher o meu amado – balbuciou Mellany. –– Quero o de branco, o de branco e dourado que está carregando uma bandeja na mão.

–– Mas ele é o empregado! – ralhou a mãe da debutante, indignada. Mãe esta que se orgulhava muito da beleza da filha para deixar que ela se casasse com alguém que não possuía fortuna alguma.

Não importa! – gritou Mel.

Mellany Santiago Bittencourt, escolha outro. Que tal o Conde de Nova Fontina? Ele é um rapaz jovem, saudável e com boas condições de vida. Ou talvez o Fazendeiro Quitelutu. Ele é rico, bonito e forte. – Bradou o Conde Fernandes, pai de Mellany. –– Qualquer um, menos o empregados. Nós o encontramos hoje, ele estava procurando emprego, como pode…?

Eu o quero, pai, eu sinto que é um amor verdadeiro.

O garoto que a debutante se referia encontrava-se imóvel, era tudo muito assustador para ele.

Diga-nos rapaz, como devemos chamá-lo? Perguntou Mellany.

Maurício. Respondeu o jovem encabulado.

Ora! Tenha a dignidade de ao menos curvar-se diante da mais bela moça do Canadá! – ordenou o pai de Mellany.

Muito envergonhado, Maurício curvou-se diante de Mel.

–– NÃO É NECESSÁRIA TAL ATITUDE! – Gritou a garota. –– O meu pai está exagerando, por Deus, levante-se!

Não sei o que fazer… Não sei o que pensar… – Balbuciou o rapaz ao perceber que todos os olhares do baile estavam recaídos sobre ele.

–– Então não pense Maurício, você é o meu escolhido. Diga apenas que me quer e seremos eternamente felizes.

–– EU TE PROÍBO MELLANY SANTIGO BITTENCOURT! – Gritou Maria Luíza, mãe de Mellany.

–– NÃO IMPORTA! Perdoe-me minha mãe, mas eu o amo, eu o quero.

–– Ora essa, por Deus Mellany, você acabou de conhecê-lo, ele é um simples garçom, não sabemos de que família ele é… – Vociferou Maria Luíza.

–– Marque o casamento para daqui a duas semanas; você me aceita Maurício? – Mel perguntou ignorando sua mãe.

–– Seria uma honra para mim, senhorita, eu que sou um garoto simples e humilde, nessa cidade cheia de fazendeiros bem sucedidos. Sinto-me importante defronte a tal decisão. – O garoto curvou-se para Mel, em um gesto de cortesia.

Mellany correu na direção do rapaz, levantou-o e sussurrou em seu ouvido:

–– Não faça isso nunca mais.

Então estava decidido. Haveria um casamento na cidadezinha, em duas semanas. Todos que estavam no baile foram convidados. Porém, muitos rapazes que estavam na festa recusaram o convite, pois se sentiram demasiado humilhados por um simples e pobre garçom ter sido escolhido dentre todos eles, que eram condes, jovens donos de fazendas, empresários, etc.

Dias haviam se passado e o casal de noivos estava cada vez mais apaixonado, cada dia amando-se mais. Maurício havia herdado uma antiga mina de diamantes de seu falecido avô e já havia contratado fieis trabalhadores para encontrarem riquezas na velha mina.

–– O seu casamento é amanhã. Comentou Maria Luíza.

–– Agradeço muito pela compreensão da senhora, mãe, gosto muito de ver que já está aceitastes o meu amor por Maurício.

–– Ora Mellany, você é minha filha e sempre lhe apoiarei!

Estava tudo pronto para o grande dia. O Conde Fernandes havia cuidado dos convidados e Maria Luíza encarregara-se da decoração e de todo o resto.

Quando à hora mais esperada na Igreja de Stanford chegou, a música suave começou a ser tocada através das leves melodias de um piano. Todos os convidados ali presentes levantaram-se e viraram-se para ver a noiva entrar. Mellany estava magnífica! Um longo vestido branco com véu e grinalda fazia parte de sua vestimenta. Sapatos de cristal com salto fino e os cabelos levemente cacheados completava o visual da noiva e dava aos espectadores uma das mais esplêndidas visões que eles teriam em toda vida. Ao lado de Mellany, o Conde Fernandes estava muito bem vestido e ostentava um largo sorriso no rosto.

No altar, Maurício estava sorridente e qualquer um percebia o quanto os seus olhos (que também eram verdes) brilhavam ao ver sua amada aproximando-se.

–– Cuide da minha pequena. Foi tudo o que Maurício ouviu do sogro antes da cerimônia começar.

Maurício nunca havia visto nada de mais lindo na vida, nunca havia pensado que alguma mulher poderia ser tão linda quanto a sua futura esposa era. E ele sabia muito bem que era sortudo demais por ter aquela mulher.

Depois do casamento de Maurício e Mellany a cidade teve outra surpresa: um bebê estava a caminho dentro de seio da Família Bittencourt. O casal estava se perguntando como seria o bebê e qual seria o seu sexo.

–– Diga-me, meu amor, qual quer que seja o nosso bebê: menino ou menina?

–– Não importa, essa criança será amada de qualquer jeito.

–– Se for menino, chamar-se-á Leandro. Mas se for menina, será Alexandra.

Os dois sempre tinham essa conversa.

No exato dia em que faziam um ano de casamento, Mel estava entrando em trabalho de parto. Ela estava sendo levada em uma maca para um quarto da obstetrícia.

–– Estamos a caminho, meu amor, o fruto do nosso amor está vindo ao mundo. – Dizia Maurício antes de chegar ao quarto onde sua mulher daria a luz.

–– Estamos prontos para o parto. – Disse uma enfermeira que estava com uma seringa na mão, pronta para anestesiar a paciente.

–– Diga a verdade, querido, que criança você quer? Qual o sexo? – Perguntou Mellany antes de ser anestesiada.

–– Eu quero alguém frágil, lindo e doce, como você. – Foi tudo o que Mellany disse antes de adormecer.

Duas horas haviam se passado, até que a garota acordou muito fraca. Tudo o que ela conseguia ver era o marido e a enfermeira carregando um bebê.

–– Ela acordou doutor! – Alguém gritou.

–– Não a force a falar demais, meu jovem, ela está muito fraca, pois perdeu muito sangue. – Alertou o doutor a Maurício.

–– Tudo bem, doutor, mas ela ficará bem… – Não é mesmo?!

–– Todos nós esperamos que sim, contudo… – Não temos certeza.

–– O que está acontecendo? – Perguntou a mulher deitada.

–– É uma menina, meu amor. – Disse Maurício.

–– Alexandra… –. Sussurrou Mellany sorrindo.

De repente, alguns sons estranhos invadiram a sala de parto, e vários médicos e enfermeiros se desesperaram.

–– O que houve? – Perguntou o marido da mulher.

–– A taxa está abaixando. – Informou desesperada uma enfermeira.

–– O que está acontecendo meu amor? – Perguntou Mellany ao ver que o esposo chorava demais. ; –– Me deixe segura-la, por favor. Pediu à enfermeira.

Então lá estava uma nova mãe carregando a filha. Chorando de emoção, agora ela sabia que tudo seria diferente.

–– Maurício, eu te amo demais e amo a minha filha. Diga isso a ela por mim.

Essas foram as últimas palavras de Mellany Santiago Bittencourt.

–– NÃO, POR FAVOR, FAÇAM ALGO, ABRAM OS OLHOS DELA, POR FAVOR! – Gritava Maurício.

–– Não há mais nada que possamos fazer meu rapaz, fizemos de tudo. Era a hora dela.

Dois dias haviam se passado e Maurício ainda não havia saído do hospital, ele estava na maternidade, esperando que pudesse levar a sua filha para casa.

–– Aqui está, papai. – Disse uma enfermeira, enquanto entregava a garotinha enrolada numa manta.

O rapaz abriu um pouco a manta e pôde ver o rostinho de sua filha, foi uma emoção muito grande para o homem, porque ele não sabia que alguém poderia ser tão pequeno; que caberia facilmente nos seus braços; que seria tão frágil que qualquer toque poderia deixar uma marquinha roxa. Tão linda e ao mesmo tempo tão doce, ele não sabia que algum ser com menos de um ano de díade poderia ser tão especial como ela era.

Estava quase perto da saída do hospital, quando ele recebeu uma ligação:

–– Maurício, aqui é Fernandes, liguei para avisar-lhe que encontraram muitos diamantes na sua mina.

Então o viúvo de Mellany desligou o celular, saiu do Hospital ao pôr do sol e disse para sua filha, em meio a um sorriso:

–– Vamos para casa, Alexandra!

Autor: Natália Martins

Revisor e Editor: Rogério Santos

Título: Laís Maltez

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